
Dizem que a uma certa
idade, nós as mulheres nos tornamos invisíveis. Que a nossa actuação na cena da
vida diminui e que nos tornamos inexistentes para um mundo onde só cabe o
impulso dos anos jovens.
Eu não sei se me tornei invisível para o mundo, mas pode ser. Porém nunca fui
tão consciente da minha existência como agora, nunca me senti tão protagonista
da minha vida, e nunca desfrutei tanto cada momento da minha existência.
Descobri que não sou uma princesa de contos de fadas, descobri o ser humano
sensível que sou e também muito forte. Descobri que me posso permitir o luxo de
não ser perfeita, de estar cheia de defeitos, de ter fraquezas, de me enganar,
de fazer coisas indevidas e de não corresponder às expectativas dos outros.
E apesar disso, gostar de mim.
Quando me olho no espelho e procuro quem fui, sorrio àquela que sou. Alegro-me
do caminho andado, e assumo as minhas contradições. Sinto que devo saudar a
jovem que fui com carinho, mas deixá-la de lado porque agora me atrapalha. O seu
mundo de ilusões e fantasias, já não me interessa. É bom viver sem ter tantas
obrigações. Que bom não sentir um desassossego permanente causado por correr
atrás de tantos sonhos.
Blandinne Faustine
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